Estudantes da UFSB participam de experiência imersiva na Aldeia Tibá, em Cumuruxatiba
A atividade de ensino do componente Fundamentos da Geografia aproximou estudantes de conhecimentos sobre território, cultura e identidade.
No domingo, 18 de outubro de 2026, estudantes da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) participaram de uma visita técnica à Aldeia Tibá, localizada no Território Indígena Comexatibá, em Cumuruxatiba, município de Prado-BA. A atividade foi organizada pela professora Dra. Maria Cunha e pela estudante monitora Euzana Oliveira como parte das atividades de ensino do componente curricular Fundamentos da Geografia, da Licenciatura Interdisciplinar em Ciências Humanas, Sociais e suas Tecnologias (LICHS), do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências, campus Paulo Freire (IHAC-CPF).

Visita a Aldeia Tibá
A atividade contou com a participação do professor Dr. Rafael França Santos, que atualmente ministra o componente História e Cultura Indígena Contemporânea para LICHS-CPF e da estudante monitora Carina Gonçalves. A visita também envolveu a participação de outros estudantes do IHAC-CPF, proporcionando um momento de aprendizagem para além dos espaços convencionais da universidade.
Conhecer o território a partir de quem o vive
Na Aldeia Tibá, o grupo foi recebido com acolhimento pela comunidade. A visita teve início com uma roda de conversa realizada na oca, conduzida pelo Cacique Zé Fragoso e pela liderança Márcia.
O encontro possibilitou aos estudantes conhecer diferentes dimensões da experiência e da luta do povo Pataxó, a partir das narrativas e dos conhecimentos compartilhados pelos próprios indígenas. Entre os temas abordados estiveram território, cultura, identidade, educação indígena, luta, resistência, reflorestamento e preservação ambiental.
A experiência permitiu relacionar os conteúdos trabalhados em sala de aula com uma realidade territorial concreta, compreendendo o território não apenas como uma porção delimitada do espaço, mas como espaço vivido, apropriado, significado e constantemente construído por relações sociais, culturais e políticas.
A Terra Indígena Comexatibá, onde está situada a Aldeia Tibá, constitui um território de ocupação tradicional Pataxó e é marcada por processos históricos de luta pelo reconhecimento formal do estado e pela proteção territorial.
Vivência, reflorestamento e preservação ambiental
Além da roda de conversa, os/as participantes tiveram a oportunidade de conhecer a mata, as nascentes e as atividades desenvolvidas pela comunidade relacionadas ao reflorestamento e à preservação ambiental.
A caminhada e a vivência no território possibilitaram observar, de maneira concreta, a relação entre sociedade, natureza e território, ampliando as possibilidades de aprendizagem sobre questões ambientais e sobre as formas pelas quais os povos indígenas estabelecem relações de cuidado, uso e proteção de seus territórios.
Nesse sentido, a atividade de campo contribuiu para que os/as estudantes percebessem que o conhecimento geográfico também se constrói a partir da escuta, da observação, da experiência e do diálogo com os sujeitos que vivem e produzem os territórios.
Uma experiência que permanece
Para os/as participantes, a visita representou uma oportunidade de aprendizagem marcada pelo encontro, pela escuta e pela vivência. Cada pessoa retornou da atividade atravessada de maneira singular pelas experiências compartilhadas na Aldeia Tibá.
Mais do que uma atividade acadêmica fora da universidade, a visita possibilitou um encontro com saberes, memórias, práticas e modos de compreender e viver o território. A experiência reforçou a importância das atividades de campo na formação interdisciplinar dos estudantes da LICHS-CPF, especialmente para uma formação comprometida com a leitura crítica da realidade e com o reconhecimento da diversidade de conhecimentos e experiências que constituem os territórios.
A comunidade acadêmica da UFSB agradece à Aldeia Tibá, ao Cacique Zé Fragoso, à liderança Márcia e a todos os membros da comunidade pelo acolhimento, pela generosidade na partilha de conhecimentos e pela oportunidade de vivenciar o território.
“Somos profundamente agradecidos/as à Aldeia Tibá por nos proporcionar essa experiência de aprendizagem, escuta e vivência. Cada participante retornou levando consigo um pouco do que viu, ouviu, sentiu e aprendeu.” (Maria Cunha)
A atividade reafirma a importância da aproximação entre universidade e comunidades, fortalecendo uma educação que reconhece o território como espaço de produção de conhecimento e valoriza os saberes construídos pelos povos e comunidades que o vivem.
Acompanhe o trabalho da Aldeia Tibá: @aldeia_tiba
CRÉDITOS:
Texto: Profa. Maria Cunha
Revisão: Prof. Rafael França e Prof. Daniel Pinheiro
Foto 1: Visita a Aldeia Tibá / Foto: Guilherme Silva Araújo / 2026
Foto 2: Cacique Zé Fragoso / Foto: Adrineyson Costa de Jesus
Foto 3: Márcia, liderança da Aldeia Tibá / Foto: Adrineyson Costa de Jesus

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