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II Ciclo AfroPindorâmico do NEABI-UFSB reúne comunidade acadêmica e lideranças em Teixeira de Freitas

  • Publicado: Terça, 22 de Setembro de 2026, 08h43
  • Última atualização em Terça, 22 de Setembro de 2026, 13h46
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Abertura do EventoEntre os dias 26 e 28 de maio, o Campus Paulo Freire, em Teixeira de Freitas, recebeu o II Ciclo AfroPindorâmico do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Federal do Sul da Bahia (NEABI-UFSB). Com o tema “Aquilombamento e Bem-Viver Ancestral: Histórias, Tecnologias e o Direito de Existir”, o evento reuniu comunidade acadêmica, lideranças comunitárias, estudantes, artistas, pesquisadores e representantes de instituições da região em três dias de atividades voltadas ao compartilhamento de conhecimentos, experiências e estratégias de resistência.

O Ciclo AfroPindorâmico integra as ações do NEABI-UFSB e tem como uma de suas características a realização itinerante entre os campi da Universidade e os territórios de seus entornos. A proposta é fortalecer o diálogo entre universidade e comunidade, reconhecendo e valorizando saberes, ciências, epistemologias e manifestações culturais de povos afro-brasileiros, indígenas e comunidades tradicionais.Profa. Rosiléia Santana e Prof. Daniel Pinheiro

A programação foi aberta com uma mesa comunitária-institucional, antecedida por uma apresentação do Grupo Juvenil do NEOJIBÁ Teixeira de Freitas. O momento reuniu docentes e pesquisadoras/es do NEABI-UFSB, entre elas/es as professoras Rosiléia Santana, Anaquiri Kambebe, Clediane Nascimento e Leila Oliveira, além do professor Daniel Pinheiro, para discutir os desafios enfrentados por comunidades negras e indígenas e a importância da atuação político-acadêmica do Núcleo.

Durante a abertura, a professora Rosiléia Santana destacou a dimensão comunitária da iniciativa. “O fazer universitário-comunitário ultrapassa os muros da universidade e expande-se às proximidades dos territórios no seu entorno”, afirmou.

A programação também contou com a Conferência Dialogada, que teve a participação das lideranças Luá Pataxó (Rita Pataxó), da Aldeia Kai, em Cumuruxatiba, e Jane Skcrull, do Quilombo Helvécia, em Nova Viçosa. O encontro propôs reflexões sobre as lutas pela garantia de direitos, a preservação de políticas públicas e a valorização das humanidades, epistemologias, cosmologias e práticas culturais de povos historicamente marginalizados.

Para a professora Anaquiri Kambebe, a educação ocupa papel central nesse processo. “Estamos e seguimos em marcha pelo nosso bem-viver”, destacou.

Cinema, arte e tecnologias ancestrais

Debate do Filme MalêsNo segundo dia de programação, 27 de maio, o Ciclo promoveu um cine-debate com a exibição do filme Malês, seguido de diálogo com a atriz e multiartista Moara Sacchi. A atividade reuniu estudantes de escolas públicas estaduais e federais e universitários de diferentes regiões da Bahia e de outros estados.

Ainda no dia 27, o público participou de uma atividade com a intelectual, artista e mestra Tapixi Guajajara, que apresentou reflexões sobre o Ikatú Haw, tecnologia ancestral guajajara relacionada à pintura e aos seus sentidos de orientação, proteção e fortalecimento das estratégias de defesa do direito de existir.

A programação contou ainda com a participação de docentes do Instituto Federal Baiano, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e de outras instituições parceiras. A articulação interinstitucional foi destacada pela organização como parte fundamental para a realização das atividades.

Vivência no Quilombo Helvécia

O terceiro e último dia do Ciclo foi marcado por uma atividade de imersão no Quilombo Helvécia, em Nova Viçosa. A visita proporcionou aos participantes o contato com histórias, memórias, saberes tradicionais e manifestações culturais da comunidade, além de experiências relacionadas à educação e aos serviços públicos presentes no território.

A programação incluiu visitas ao Museu de Helvécia, ao posto de saúde, à creche e à escola da comunidade. O grupo também foi recebido por lideranças quilombolas, entre elas Jane Skcrull, Tidinha, Maria Fia e Marcos Anunciação, que compartilharam conhecimentos e experiências sobre a organização das comunidades quilombolas de Helvécia e Volta Miúda.

Quilombo Helvécia

A atividade também valorizou a agricultura familiar e os saberes relacionados à alimentação tradicional, fortalecendo a proposta do evento de promover uma relação orgânica entre universidade e territórios.

Arte, cultura e produção acadêmica

O encerramento do II Ciclo AfroPindorâmico contou com apresentações culturais, entre elas a intervenção da Roda Choro de Teixeira de Freitas, sob regência de Naum Galdino, e uma performance de dança afro conduzida pela professora Leila Oliveira, com participação das estudantes Thainá Mendonça e Geanne Silva, do Campus Jorge Amado.

Também foi realizada uma exposição com trabalhos desenvolvidos por integrantes do NEABI-UFSB nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, com destaque para as produções relacionadas às agências afro-brasileiras, indígenas e africanas.

Para o NEABI-UFSB, o Ciclo reafirma a universidade como espaço de produção e circulação de conhecimentos que também se constroem nos territórios e nas comunidades. A iniciativa busca fortalecer o reconhecimento das diferentes formas de ciência, cultura e existência e contribuir para o enfrentamento do racismo e das desigualdades.

“O sentido Ubuntu, nós fizemos valer!”, destacou a organização ao avaliar a realização da segunda edição do evento.

A realização do II Ciclo AfroPindorâmico contou com apoio institucional da Reitoria da UFSB, dos Decanatos do Centro de Formação em Ciências Humanas e Sociais (CFCHS) e do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências do Campus Paulo Freire (IHAC-CPF), além de unidades, servidoras/es, equipes terceirizadas, estudantes e instituições parceiras.

Imagem Final

A organização também agradeceu a colaboração do Instituto Sociocultural Brasil Chama África e do Centro Público de Economia Solidária (CESOL) do Território Extremo Sul da Bahia.

As imagens e outras sínteses do evento estão disponíveis no perfil do NEABI-UFSB no Instagram, @neabi.ufsb. Informações, contatos e propostas de parceria podem ser encaminhados pelo e-mail neabi@ufsb.edu.br.

 

Foto 1 - Abertura do evento
Foto 2 - Professores Daniel Pinheiro e Rosiléia Santana
Foto 3 - Debate do filme Malês
Foto 4 - Quilombo Helvécia
Foto 5 - Copilado do II Ciclo Afropindorâmico no CPF Teixeira de Freitas

 

Adaptado do texto de Profa. Rosiléia Santana - CFCHS/CSC/UFSB e Prof. Daniel Pinheiro - IHAC/CPF/UFSB
Realização das Imagens e comunicação: estudantes Mídias Digitais CPF ( Kleberson Bandeira, Laura Coelho, Daniel Souto e demais colegas)

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