III Jornada de Literaturas Indígenas da UFSB reúne 200 participantes em atividades sobre leitura, ensino e literaturas indígenas
A III Jornada de Literaturas Indígenas da Universidade Federal do Sul da Bahia ocorreu no último dia 01/09. O evento reuniu cerca de 200 participantes com estudantes, professores/as, pesquisadores/as e escritoras reunidos em torno de reflexões sobre a formação de leitores/as e a presença das literaturas indígenas na educação básica e superior. Realizada em parceria com o Festival Caju de Leitores, a Jornada foi organizada pelos professores Gabriela Rodella de Oliveira e Sérgio Barbosa de Cerqueda, da Licenciatura Interdisciplinar em Linguagens e suas tecnologias do CSC.
Na parte da manhã, no Centro de Cultura de Porto Seguro, os trabalhos se concentraram na apresentação dos resultados da I Pesquisa Caju de Leitores, realizada pela JLeiva Cultura e Esporte com estudantes de escolas públicas de Caraíva e da Terra Indígena Barra Velha. O pesquisador João Leiva apresentou os principais dados do levantamento, que ouviu 672 estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio e investigou seus hábitos e práticas de leitura. A sessão contou com a presença de estudantes da Licenciatura Intercultural Indígena (LINTER) e do professor Francisco Vanderlei do IFBA/Porto, parceiro da Jornada desde sua primeira edição. Após a apresentação, João Leiva, Francisco Vanderlei e a professora Gabriela Rodella de Oliveira debateram os resultados com os/as participantes, abordando questões como as mudanças nas formas de acesso aos livros, as diferenças nas práticas de leitura entre meninas e meninos, o papel da escola e das famílias na formação de leitores e a circulação das literaturas indígenas entre crianças e jovens.
Ensino e literatura indígena encerram a Jornada
À noite, a programação retornou ao Campus Sosígenes Costa da UFSB, com mesa-redonda dedicada às relações entre ensino e literaturas indígenas. A sessão foi aberta pela professora da UFSB Adriana Pesca Pataxó, com a leitura de poemas de sua autoria. A seguir, participaram da mesa a escritora, educadora e psicopedagoga Vanessa Guarani Ratton e o professor e pesquisador Paulo de Tássio Borges da Silva, da Universidade Federal Fluminense (UFF), com mediação do professor Sérgio Barbosa de Cerqueda.
Vanessa Guarani Ratton abordou as possibilidades de trabalho com a literatura indígena voltada à infância, relacionando leitura literária, formação docente, interculturalidade e valorização das culturas e dos saberes indígenas. Em sua participação, discutiu ainda a importância da autoria indígena e da presença dessas obras nas escolas como parte de uma educação comprometida com a diversidade cultural e com a implementação da Lei nº 11.645/2008.

Paulo de Tássio Borges da Silva trouxe para a conversa questões ligadas à educação escolar indígena, à formação de professores e às relações entre território, língua, cultura e currículo, ampliando o debate sobre os desafios envolvidos na inserção das literaturas indígenas nos processos educativos.
Em sua terceira edição, a Jornada consolida uma parceria iniciada a partir do Festival Caju de Leitores, realizado na Aldeia Xandó, na Terra Indígena Barra Velha. A aproximação entre o Festival e a UFSB tem gerado, ao longo dos últimos anos, ações de formação, a proposição de componentes curriculares, encontros com autores e autoras e atividades voltadas à presença das literaturas indígenas na formação inicial e continuada de professores/as. A iniciativa conta com o apoio do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências do Campus Sosígenes Costa (IHAC/CSC) e integra um conjunto de ações que busca aproximar universidade, escolas e territórios indígenas, fortalecendo a circulação de saberes, obras e experiências entre esses espaços.

Texto e fotos encaminhados por Gabriela Rodella

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