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Pesquisa aborda as relações entre ecovilas e ambiente no Litoral Sul da Bahia

Escrito por Heleno Rocha Nazário | Publicado: Segunda, 19 de Setembro de 2022, 11h23 | Última atualização em Segunda, 19 de Setembro de 2022, 15h28 | Acessos: 186

DEFESA ZÉ HÉLDER2A primeira pesquisa defendida no Programa de Pós-Graduação em Biossistemas trouxe um tema que conecta planejamento e ambiente. A dissertação Tipologias Eco Habitacionais e Ecossistemas Urbanos: arquitetura e ocupação eco-urbana no eixo Uruçuca-Itacaré, BA, de autoria do arquiteto e urbanista do quadro de servidores da UFSB José Hélder de Sousa Pereira (DINFRA/PROPA) com a orientação da professora e pesquisadora Sílvia Kimo Costa (PopTecs/PPGBIOSSISTEMAS), realiza uma comparação em termos de impactos ecossistêmicos de diferentes ecovilas na região. O termo ecovila designa uma ocupação eco-urbana, desenvolvida por uma comunidade de modo participativo e com atenção para as quatro dimensões da sustentabilidade - social, cultural, ecológica e econômica - com o fim de regenerar ambientes sociais e naturais.

A partir de articulações de conceitos no encontro de áreas como a arquitetura e urbanismo e a ecologia, e de conceitos como os de sustentabilidade, arquitetura vernacular e permacultura, o pesquisador e a orientadora desenvolveram um modelo de análise comparativa entre quatro diferentes ecovilas existentes entre Uruçuca e Itacaré, considerando a caracterização dos habitats (ambiente construído/ aquático/ verde/ de resíduos), os aspectos da ocupação eco-urbana (capacidade de suporte/cidade adjacente) e as características das ecoedificações (arquitetura vernacular/ bioconstrução).

Os resultados encontrados apontam para a manutenção do baixo impacto ambiental negativo nas ecovilas, porém com impactos negativos nos assentamentos urbanos adjacentes, seja pelo fornecimento de água tratada ou pelo recebimento de resíduos descartados das ecovilas, que acabam sendo levados para aterros em cidades próximas. É uma confirmação parcial da hipótese que motivou o estudo: que as ecovilas no eixo Uruçuca-Itacaré permitiriam uma dinâmica de interação com o meio ambiente de baixíssimo impacto negativo ao ecossistema local e adjacente (nas cidades próximas). Esse é um dado que importa no planejamento urbano e ambiental da região

José Hélder e a orientadora, professora Sílvia Kimo Costa, explicaram em mais detalhes a pesquisa realizada em entrevista por e-mail. 


 

Do que trata a pesquisa?

A pesquisa objetivou analisar comparativamente ocupações ecourbanas implantadas no eixo Uruçuca-Itacaré, localizado no Litoral Sul da Bahia, e seus inerentes processos ecossistêmicos. Partiu-se da hipótese de que a configuração (desenho urbano) de tais ocupações, assim como eco-habitações, permitiriam uma dinâmica de interação com o meio ambiente de menor impacto negativo ao ecossistema local e adjacente.
 
localizacao ecovilas analisadas
Como a pesquisa foi realizada?
 
A pesquisa compreendeu 4 etapas. A primeira correspondeu a um estudo de revisão sistemática que objetivou desenhar a articulação conceitual entre três núcleos textuais paramétricos: 1 “ocupações ecourbanas”, 2 “eco-habitações” e 3 “interação ecossistêmica”. O resultado desta etapa foi publicado como artigo conceitual na Revista Ibero Americana de Ciências Ambientais (RICA) em 2021. 
As segunda e terceira etapas envolveram pesquisa em plataformas de dados secundários e de dados por meio de imagens. Estas etapas objetivaram obter um “retrato panorâmico” da área de estudo. O foco da Etapa 2 foi a compreensão da realidade socioeconômica, enquanto o da Etapa 3, o registro da ocupação do território. A extração dos dados geográficos forneceu os subsídios necessários para selecionar os locais da análise, ou seja, para realizar um corte amostral mais preciso e acertado do ponto de vista técnico-científico.
 
quarta e última etapa foi o trabalho de coleta de dados em campo. Foram visitadas as ocupações ecourbanas selecionadas para a Pesquisa para fotografia, croquis (desenhos à mão livre) in loco. Aplicação de roteiro de observação para análise do traçado urbano e tipologia arquitetônica. Em função da pandemia da COVID 19, as ocupações foram visitadas entre os meses de outubro de 2021 e fevereiro de 2022. A coleta de dados foi realizada conforme Protocolo de pesquisa CEP 4.852.481/ 2021. 
a) A análise da tipologia arquitetônica das habitações foi realizada conforme as seguintes referências Unwin (2013) e Farrelly (2011). Segundo Farrelly (2011), “os desenhos de arquitetura têm sua linguagem própria, e cada situação requer o dialeto certo. A linguagem da representação gráfica é variada, mas seu vocabulário é básico”. Depreende-se desta colocação que o que se representou nesta etapa refere-se ao processo de levantamento básico típico do processo de reconhecimento arquitetônico.
b) Para análise do desenho urbano, primeiramente, foi necessário observar a relação entre as construções e a comunidade com os meios físicos-ambientais preexistentes: topografia, caminho das águas pluviais, vegetação existente. O objetivo desta análise foi verificar a predominância do modelo empírico de execução da bioconstrução, que se repete, com a escolha do sítio de implantação das edificações. Por conseguinte, observou-se os aspectos da Sintaxe Urbana (linhas de fluxo, centralidade e circulação do traçado urbano da ocupação) conforme Hillier e Hanson (2009). Por fim, as informações foram correlacionadas ao roteiro de observação elaborado durante o estudo de revisão sistemática, onde constam informações acerca dos hábitats construído, verde, aquático; de resíduos da ocupação e aspectos das edificações.
 
Qual a importância do tema?
 
As ocupações humanas são sistemas que intervêm diretamente na estrutura e operação dos demais sistemas e ambientes coabitantes. A antropização modifica e consome recursos dos meios existentes, calculando, em maior ou menor grau, qual o resultado de sua transformação. A atuação humana racionaliza o fim, e as principais variáveis aplicadas no processo são as que favorecem sua própria ocupação e, quando ocorre de maneira insustentável, provocam consequente degradação ambiental. Nesse contexto, ocupações urbanas, caracterizadas pela presença de eco-habitações inseridas em um desenho urbano pautado em princípios de sustentabilidade e que estejam próximas a maiores aglomerações urbanas, podem funcionar como ecovilas ou ecobairros desempenhando um papel importante no nível do consumo eficiente de recursos.
 
 
O que os resultados indicam?
 
No que tange à hipótese da pesquisa, de que a configuração (desenho urbano) de ocupações ecourbanas, assim como as eco-habitações, permitiriam uma dinâmica de interação com o meio ambiente de menor impacto negativo ao ecossistema local e adjacente, constatou-se corroboração parcial, pois existe uma dinâmica de interação com o meio ambiente de baixíssimo impacto negativo ao ecossistema da localidade onde as ecovilas estão implantadas, porém o mesmo não ocorre em relação aos ecossistemas urbanos adjacentes do eixo Uruçuca-Itacaré, BA.
 
 
Que contribuições os resultados oferecem ou permitem antever?
A identificação e análise comparativa das ocupações ecourbanas – ecovilas - e seus inerentes processos ecossistêmicos, no eixo Uruçuca-Itacaré, BA, constitui importante subsídio não só para ações de planejamento urbano-ambiental nas Unidades de Uso Sustentável, onde estão inseridas, como na totalidade do Litoral Sul da Bahia. Por fim, destaca-se que este estudo contribui para o enriquecimento da referência bibliográfica científica concernente à linha de pesquisa Produção e tecnologia aplicada a biossistemas, a qual este trabalho está vinculado com ênfase no estudo das eco-habitações e planejamento urbano-ambiental.
Os resultados da pesquisa foram publicados na Revista Mix Sustentável em 2022.
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