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Pesquisadores da UFSB criarão rede de sensores de baixo custo para monitorar rios de Porto Seguro e região

Publicado: Quinta, 03 de Fevereiro de 2022, 11h13 | Última atualização em Segunda, 07 de Fevereiro de 2022, 14h39 | Acessos: 2450

Dados obtidos pela rede de monitoramento serão disponibilizados de forma aberta na internet

 

sensor buranhemEpisódios recentes como as enchentes do mês de dezembro no sul da Bahia e as manchas de petróleo em toda a região Nordeste, em 2020, expuseram a necessidade urgente de a população estar mais atenta às águas de nossa região. Um importante instrumento para avaliar a “saúde” de nossos rios e do oceano é a criação de estações de análise que forneçam dados sobre o que está acontecendo com os rios, estuários e a zona marinha, em tempo real.

Uma oficina experimental será instalada no campus da UFSB em Porto Seguro este ano para montar sensores eletrônicos capazes de monitorar a qualidade da água das bacias hidrográficas da região de Porto Seguro. Com esses sensores, o projeto EcoIoT criará uma rede de monitoramento via Internet das Coisas.

A tecnologia utilizada tem o potencial de baratear fortemente os custos desse tipo de ferramenta para o monitoramento ambiental, segundo explica o coordenador do projeto, o professor Marcos Bernardes. “Uma das grandes vantagens do nosso projeto é que ele conta com instrumentação de baixo custo e, portanto, isso pode ampliar em termos de abrangência, de escala, de cobertura as áreas de interesse”, explica o oceanógrafo. “Existem equipamentos similares, mas que normalmente vão utilizar sistemas comerciais que são pelo menos dez vezes mais caros, dependendo do tipo de parâmetro, de variável que coletam.”

Desde 2018, Bernardes atua como presidente do Conselho da Bacia Hidrográfica dos Rios dos Frades, Buranhém e Santo Antônio. Após as cheias de dezembro, o conselho emitiu nota conjunta em que alertava: “Ainda que [as fortes chuvas] sejam situações que perdurem por alguns dias, suas consequências serão sentidas por muito mais tempo, agravando ainda mais as desigualdades socioeconômicas, além de representarem um desafio adicional para nos adaptarmos às mudanças climáticas. Ao tempo em que nos colocamos à disposição para mitigar os efeitos de curto prazo, reiteramos nosso clamor pela implementação de instrumentos de gestão das águas no sul e extremo sul da Bahia”.

 

Iniciativa multidisciplinar

O projeto EcoIoT reúne professores e alunos da UFSB, e a proposta surgiu a partir de um trabalho científico sobre sensores eletrônicos de baixo custo para monitoramento ambiental conduzida pelo pesquisador Felipe Diego de Oliveira, profissional da área de Tecnologia da Informação que se tornou mestre em Ciências e Tecnologias Ambientais pela universidade, e é também membro da equipe técnica. Oliveira foi orientado pelo bioquímico Orlando Jorquera, outro dos responsáveis pelo EcoIoT. “O projeto tem uma interface muito direta com a gestão pública e com a ciência cidadã, de modo que as pessoas possam contribuir com informações e dados sobre o que acontece nas regiões de interesse”, explica Bernardes.

“A rede visa criar uma solução de monitoramento de parâmetros físico-quimicos de ambientes aquáticos, de baixo custo, pois utiliza dispositivos open-source e de fácil acesso, baseados nas tecnologias compatíveis com Arduino”, explica Oliveira. Arduino é o nome comercial de uma série de placas eletrônicas que servem como base para construir dispositivos digitais e interativos. Por utilizar os chamados “programas livres” (ou seja, de código aberto – open-source) e permitir a montagem de dispositivos pelos próprios usuários, o seu uso viabiliza custos mais baixos.

A concepção do projeto como “ciência cidadã” remete ao fato de que os dados capturados pelos sensores serão transmitidos em tempo real e disponibilizados em um site. “Por serem de acesso público, os dados estarão disponíveis para concessionárias de água e esgoto, órgãos ambientais estaduais e municipais, profissionais da navegação”, explica Bernardes. “São dados que vão servir para um público bastante amplo além da academia, então obviamente isso gera a possibilidade de se reforçar a participação social no acompanhamento, monitoramento e fiscalização”.

Segundo Bernardes, a montagem dos sensores deve começar tão logo sejam concluídos os processos de compra, e logo depois haverá testes em laboratório e a instalação dos equipamentos em locais selecionados pela equipe. A etapa seguinte será o lançamento da plataforma de internet, com disponibilização de tutoriais de como usar o sistema, assim como dos dados online. O público poderá acompanhar dados de temperatura, salinidade, nível d'água, pH, turbidez e oxigênio dissolvido dos rios Buranhém e dos Mangues.

O projeto EcoIoT é resultado de uma parceria entre a UFSB e a Cooperação Alemã para Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ, com apoio do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Frades, Buranhém e Santo Antônio e da Fundação Escola Politécnica da Bahia (FEP).

Além dos professores e alunos do Centro de Formação em Ciências Ambientais, o projeto inclui uma parceria com integrantes dos cursos do Centro de Formação em Artes e Comunicação da UFSB – o jornalista Spensy Pimentel, coordenador do novo curso de Jornalismo da UFSB, e Luaran Simões, estudante do curso de Som, Imagem e Movimento. O objetivo é ampliar a capacidade de comunicação do projeto, no espírito da “ciência cidadã”, implantando um modelo de parceria entre ciência e comunicação em nossa universidade.

Em breve, o projeto divulgará a seleção de três bolsistas para a área de tecnologia, estações de monitoramento e plataforma de disponibilização dos dados.

Mais informações sobre o projeto serão divulgadas no perfil do projeto EcoIot no Instagram

 

Texto: Spensy Pimentel

 

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