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Pesquisa de iniciação tecnológica gera banco de dados ambientais para Parque Nacional do Alto Cariri

Escrito por Heleno Rocha Nazário | Publicado: Segunda, 07 de Junho de 2021, 10h34 | Última atualização em Segunda, 07 de Junho de 2021, 14h58 | Acessos: 251

Entrega do Banco de dados e relatórioA gestão dos recursos ambientais do Parque Nacional do Alto Cariri, no sul da Bahia, recebeu um importante subsídio para planejar e coordenar suas ações. Uma pesquisa realizada no Centro de Formação em Ciências Ambientais (CFCAM) com bolsa de Iniciação Tecnológica (IT) coletou diversas informações sobre o parque e as consolidou em um banco da dados espaciais, compartilhado pela equipe com a gestão da unidade de conservação. Conforme o orientador da pesquisa, professor Elfany Reis do Nascimento Lopes, o trabalho vai favorecer a realização do plano de manejo do parque, etapa na qual a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) deve repetir a parceria.

O estudo em questão consiste em uma avaliação ambiental e construção de um banco de dados para a gestão de uma unidade de conservação. O que começou como iniciação científica apoiada pela UFSB recebeu depois uma bolsa do CNPQ-IT, com as etapas desenvolvidas no período de cerca de dois anos, culminando com o compartilhamento do banco de dados com gestão do parque no mês de maio de 2021. O título do projeto é Avaliação ambiental e proposição de um banco de dados espaciais para a gestão do Parque Nacional do Alto Cariri, Guaratinga - Bahia, realizado pelo professor Elfany e pelo bolsista Vinícius Jorge, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Ciências. O projeto recebeu apoio da gestão do Parque e do ICMBio via sede em Porto Seguro. "O projeto foi desenvolvido entre agosto de 2019 e agosto de 2020 como plano de trabalho de uma inciação científica, mas continuamos o desenvolvimento de ajustes, organizações e modelagem do banco de dados até maio de 2021, quando entregamos uma cópia do banco de dados a gestão do banco de dados. Atualmente, caminhamos para auxiliar, via instituição acadêmica, o grupo de trabalho do plano de manejo do Parque, inclusive com os dados gerados", detalha o professor Elfany.

A equipe que trabalhou no projeto, além do professor Elfany e do estudante Vinicius, inclui a bolsista do ICMBio, Micleia Nascimento, a gestora do Parque ICMBio, Adriana Prestes e o auxiliar técnico do ICMBio, Carlos Francisco Sommer.

 

Parceria e mútuos benefícios  

DSC00931O pesquisador conta que o projeto foi contemplado com bolsa em um edital da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG\UFSB). O fomento se somou ao contato com a gestora do Parque Nacional do Alto Cariri, Adriana Prestes, que manifestava interesse em um trabalho conjunto das instituições para a realização de estudos ambientais na Unidade de Conservação. Para o professor Elfany, foi uma forma de incluir o parque na lista de unidades de conservação com as quais a UFSB mantém parcerias de pesquisa. "Para além disso, o Alto do Cariri é uma região de tirar o fôlego, linda e atraente com seus morros, montanhas e relevo acidentado, com distintas cachoeiras e uma paisagem exuberante. Foi o suficiente para fazer do Parque um laboratório a céu aberto."

A construção do banco de dados resultou em um "levantamento dos aspectos físicos, bióticos, da paisagem e do ecoturismo, a nível espacial, promovendo uma avaliação ambiental e a construção de um banco de dados em ambiente do Sistema de Informações Geográficas capaz de subsidiar a gestão ambiental do Parque Nacional do Alto Cariri, Guaratinga, Bahia", explica o professor Elfany. As etapas desenvolvidas incluíram análises espaciais com uso do geoprocessamento e sensoriamento remoto e atividades de campo na unidade de conservação para validação de dados e análise do potencial turístico. A avaliação ambiental deu prioridade à inserção de informações em quatro eixos principais:
A - A unidade de conservação (localização espacial, área territorial, categoria de proteção, legislação pertinente);
B – Informações ambientais do Parque Nacional do Alto Cariri (conhecimento dos aspectos físicos – geologia, geomorfologia, pedologia, hipsometria, declividade, luminosidade, orientação de vertentes e drenagem; aspectos bióticos e da paisagem – uso da terra e florestas, vegetação, ecossistemas, áreas de preservação permanente e conflitos ambientais);
C – Ecoturismo (mapeamento de áreas potenciais ao desenvolvimento de atividades e construção de diretrizes para o turismo ecológico);
D – Banco de dados (delimitação e organização dos dados produzidos em um ambiente de informação geográfica de código livre e aberto). 
 
DSC01098Essa consolidação de informações é essencial para a boa gestão do parque, criado em 2010 com o objetivo de proteger uma espécie de ave em extinção, o muriqui do norte, bem como de resguardar a riqueza de recursos naturais e os ecossistemas terrestres com potencial de turismo ecológico. É também um importante espaço de recarga hidríca da Bacia Hidrográfica do rio Buranhém, um importante recurso hídrico regional. O professor Elfany conta que os resultados e o banco de dados vão ajudar na operacionalização do recursos, na solução da carência de informações técnicas ambientais para a gestão da área e de constantes conflitos gerados pelo uso de recursos naturais pela população. 
          
O levantamento comprova que o Parque Nacional do Alto Cariri possui atributos ambientais relevantes para a preservação, "com mais da metade da sua área com relevo fortemente ondulado, solos profundos e bem drenado, além de locais para práticas de turismo ecológico nas propriedades, em suas cachoeiras, fazendas, montanhas ou até mesmo na comunidade Monte Alegre", afirma o professor Elfany. Com a organização das informações coletadas com o uso de geotecnologia, o banco de dados vai subsidiar a elaboração do plano de manejo da unidade de conservação. Esse plano é demandado para ser realizado no prazo de cinco anos desde a criação, porém requer informações que a unidade de conservação ainda não detinha. Outra solução que se torna possível é a realização do processo de regularização fundiária, para sanar os conflitos ambientais existentes na área, uma vez que o trabalho gerou a base de dados e a produção de informações cartográficas que vão integrar o futuro plano de manejo do parque.
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