I SIBATEC ofereceu imersão tecnológica e científica na produção de cacau e chocolate
A primeira edição do Simpósio Baiano em Tecnologias do Cacau e Chocolate (SIBATEC) abriu um novo precedente. Realizado com atividades no Campus Jorge Amado da UFSB e na CEPLAC, em Ilhéus, e organizado pelo Curso Superior de Tecnologia em Cacau e Chocolate, vinculado ao Centro de Formação em Ciências Agroflorestais (CFCAF) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) em parceria com a CEPLAC, o evento ofereceu uma imersão no mundo dessa cultura, da amêndoa à barra de chocolate, da planta no pé à exportação. A agenda do simpósio seguiu o tema Desafios da Cadeia Produtiva: das mudanças climáticas ao mercado de valor. combinou palestras sobre aspectos técnicos, científicos e mercadológicos durante as manhãs e oficinas práticas, conduzidas por estudantes do projeto de Extensão Oficineiros do Cacau. Com isso, a UFSB ofereceu uma imersão de dois dias, 18 e 19 de junho, em debates e aprendizados sobre a produção de cacau e a fabricação de chocolates, abrangendo desde o manejo do solo ao uso de redes sociais para promover os produtos.
Conforme a organizadora e coordenadora do CST em Cacau e Chocolate, professora Jannaína Velasques da Costa Pinto, o evento demonstrou a importância da universidade pública nesse cenário. A ideia do SIBATEC surgiu de um componente curricular de extensão (CCEx), com intensa mobilização e participação dos discentes do curso em todas as etapas. Além da organização, os estudantes também ministraram oficinas, com temas escolhidos pela turma.
Após a abertura do evento, que contou com a presença do reitor da UFSB, professor Fabrício Berton Zanchi, os painéis das manhãs trataram dos temas amplos e de grande efeito na cadeia produtiva. No primeiro dia, os painelistas abordaram os ganhos de produtividade com mais e melhores tecnologias e o peso das mudanças climáticas na cacauicultura. No segundo dia, os temas abrangidos foram o mercado de valor para a cacauicultura e o terroir que caracteriza o fruto cultivado na Mata Atlântica.
O evento ofereceu acesso gratuito aos painéis e aos minicursos e oficinas, com presença de nomes de destaque no setor. Participaram dos painéis especialistas como Roberto Lessa (Vila Opa), Silvino Kruchewsky (SKAgro), Adson Oliveira (SENAR), Guilherme Salata (Cocoa Action Brazil), Danusa Campos (UFSB) Ivan Crespo (UFPR/CEPLAC), Guilherme Macedo (MARS Brasil), Thiago Fernandes (Cabruca Consortium), Antônio Zugaib (UESC/CEPLAC), Neorley Carvalho (SEBRAE), Adriana Reis (CIC), Cilene Souza (CEPLAC), Sheylla Tomás (SIMPLICITUDE). A série de painéis contou com as mediações feitas por Luis Carlos Cirilo (UESC), João Carlos Medeiros (UFSB), Carla Padilha (UFSB) e Ben-Hur Gonçalves (UFSB).
As tardes do simpósio foram reservadas para sessão de apresentação de posters sobre pesquisas, exposições de maquinários, produtos para cultivo do cacau e de diferentes marcas de chocolates e derivados do cacau, além de uma variada oferta de oficinas práticas. Os saberes apresentados nas oficinas passaram pela temperagem e inclusões no preparo de chocolates, classificação de amêndoas, interpretação de análise de solo com foco nas recomendações para cacaueiro, técnicas de poda e de enxertia, manejo fitossanitário, sistemas de irrigação, uso de drones agrícolas e técnicas para uso do instagram por produtores rurais.
Dessas oficinas e minicursos, seis foram conduzidas no todo ou em parte pela equipe discente que integra o projeto de extensão universitária Oficineiros do Cacau. Esse projeto é executado por alunos do Curso Superior em Tecnologia de Produção do Cacau e Chocolate e da Engenharia Agrícola e Ambiental. O objetivo é oferecer realizar oficinas práticas ofertadas à comunidade rural, com caráter formativo e de divulgação do conhecimento sobre a cadeia produtiva do cacaueiro.
A apresentação de trabalhos nos pôsteres contou com uma comissão científica independente, interdisciplinar e de diferentes instituições, coordenada pela professora Khetrin Maciel (UFSB). Além dela, a banca contou com a expertise do professor Gonçalo Pereira (UNICAMP), Vítor Maia Martins (UNIMONTES), Paulo Túlio Silveira (UNICAMP), Miquéias Calvi (UFPA), Luís Carlos Cirilo (UESC) e Jaqueline Dalla Rosa (UFSB), e a doutoranda Vanessa S. Paula (PPGBiossistemas/UFSB). As pessoas com os melhores trabalhos foram premiadas com a oportunidade de levar as apresentações para a ExpoCacau e de publicar os resultados na Agrotrópica, revista científica mantida pela CEPLAC.
O SIBATEC teve como apoiadores a Pró-reitoria de Extensão e Cultura (PROEX), Fazenda Jacarandá, SEBARE, Netafim, Centro de Inovação do Cacau, Cocoa Action Brazil, TecnoParts, Módulo Rural e SENAR. A professora Jannaína destaca os aportes financeiros via editais da PROEX e o apoio da Fazenda Jacarandá para a realização do evento. Ela valoriza também a iniciativa e o empenho da turma de discentes envolvidos para a concretização dessa primeira edição. Jannaína conta que os minicursos lotaram e que, ao todo no evento, o SIBATEC alcançou 250 inscritos, o máximo que o auditório do CEPEC comporta.
Tudo isso aponta para uma demanda do setor cacaueiro por conhecimento, afirma a docente e pesquisadora. "Nós temos poucas pesquisas ainda focadas para tecnologias a campo. Estuda-se muito em termos de desenvolvimento de produtos, principalmente pela cadeia de chcolate, mas para o cacau a campo ainda se tem muito pouco perto do que se necessita", avalia Jannaína. "E a universidade acaba desempenhando um papel fundamental nessa transmissão do conhecimeno, a partir de suas atividades extensionistas".
A professora destaca ainda que outro indício dessa demanda é que o evento contou com o perfil no Instagram do evento para divulgação e obteve sucesso na atração do público de interesse usando apenas aquele canal. Ela ressaltou que o SIBATEC foi uma oferta de acesso gratuito a apresentações e saberes de alto nível, comparável a eventos do setor de cacau que cobram tíquetes na casa dos três dígitos: "O papel da universidade pública é esse, um evento com conhecimento científico e minicursos ao alcance de todos, com custo zero". Jannaína destaca que a expectativa para a próxima edição inclui mais financiamento, para ampliar ainda mais a qualidade do SIBATEC.

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